Quando a obrigação vira estratégia: o novo P&D no setor elétrico brasileiro

Durante muitos anos, falar de P&D no setor elétrico significava falar de obrigação regulatória.

As concessionárias de energia são obrigadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a investir aproximadamente 1% da Receita Operacional Líquida em Pesquisa & Desenvolvimento. Era, e continua sendo, uma exigência legal.

Mas algo mudou. 🔄

A partir de 2023, a ANEEL passou a estabelecer diretrizes estratégicas mais claras para os investimentos em P&D, ampliando a cobrança por resultados, impacto e conexão com desafios reais do setor. Além disso, consolidou a possibilidade de utilização dessa verba regulada para contratação de startups, abrindo um novo capítulo para a inovação no Brasil.

Vale reforçar que, conforme a RN ANEEL nº 1.074/2023 (Anexo IV – Módulo 4, Seção 4.4, itens 39, 53 e 55), se a empresa investir em P&D e não atingir as metas/KRs definidos no PEQuI, pode haver reconhecimento parcial do investimento. Nesses casos, os valores não reconhecidos deixam de ser considerados para fins de cumprimento da obrigação regulatória e precisam ser reaplicados em novos projetos. Na prática, o recurso já foi gasto, mas não “conta” como cumprimento da obrigação, exigindo novo investimento para compensação.

Por isso, é fundamental direcionar os investimentos para projetos com real potencial de geração de resultado, com metodologia estruturada, metas claras e foco em impacto mensurável. Não se trata apenas de executar projetos, mas de garantir entrega concreta de valor e reconhecimento regulatório.

Assim, o que antes era visto por muitos como custo obrigatório começou a se transformar em instrumento estratégico de transformação. 🚀

E é exatamente aqui que entra o case da Cemig.

Cemig: conectando startups aos grandes desafios do Brasil ⚙️

A Cemig é uma das maiores empresas de energia da América Latina. Como todas as concessionárias do setor, precisa investir em P&D regulado.

Mas a pergunta que realmente importa é: como transformar recurso obrigatório em vantagem competitiva?

A resposta foi estruturar um modelo robusto de inovação aberta utilizando verba regulada, tudo isso com governança, metodologia, conexão com o mercado e foco em resultados.

Nasceu o Inova Cemig.Lab, hoje o maior programa de inovação aberta do setor elétrico brasileiro.

E o IEBT é o responsável pela sua gestão.

O papel do IEBT: transformar desafio em oportunidade🎯

Mais do que lançar chamadas públicas, o IEBT atua como orquestrador estratégico do programa.

Isso significa:

  • Estruturação metodológica dos ciclos
  • Tradução de desafios técnicos da companhia em oportunidades claras para o mercado
  • Conexão qualificada com startups
  • Modelagem contratual via CPSI com uso de verba regulada
  • Gestão da execução, governança e acompanhamento técnico dos projetos
  • Implementação das soluções na operação da companhia
  • Mensuração de resultados e captura de valor

Isso mostra que novas soluções não são apenas “testadas”, mas implementadas no dia a dia da companhia.

Na prática, o P&D deixa de ser uma rubrica orçamentária e passa a ser um pipeline estruturado de inovação.

Resultados que provam o modelo 📈

O Inova Cemig.Lab está atualmente no seu quarto ciclo.

Os números mostram que inovação regulada pode gerar impacto real:

Ciclo 1

13 contratos assinados R$ 15,7 milhões previstos para investimento Projetos em fase de rollout, já gerando resultados para a companhia. Lembrando que os contratos de fornecimento serão assinados em breve, de forma a consolidar o uso das soluções desenvolvidas na operação da empresa e a geração de resultados.

Ciclo 2

11 contratos firmados R$ 14,7 milhões previstos para investimento Projetos em fase de piloto, com cases em construção

Ciclo 3

14 desafios lançados Mais de 300 inscrições 13 contratos assinados R$ 12,7 milhões previstos para investimento Projetos em fase de prova de conceito

Ciclo 4

8 novos desafios lançados Mais de 200 inscrições Previsão de aproximadamente R$ 10 milhões em investimentos

Esses números não representam apenas volume financeiro. Representam um novo padrão de maturidade na gestão de P&D regulado.

O que mudou no P&D brasileiro? 🔎

Historicamente, muitos projetos de P&D no setor elétrico eram conduzidos com foco técnico, muitas vezes restritos a universidades ou centros de pesquisa, e com menor pressão por escala ou aplicação prática.

A nova diretriz regulatória trouxe três grandes transformações:

  1. Foco em impacto e aplicabilidade
  2. Maior integração com desafios estratégicos das concessionárias
  3. Abertura estruturada para startups

Com isso, o P&D deixou de ser periférico e passou a ocupar posição central na agenda de inovação corporativa.

P&D como instrumento estratégico 🧠

Quando bem estruturado, o P&D regulado pode:

  • Reduzir risco tecnológico
  • Testar soluções em ambiente real
  • Acelerar a digitalização do setor
  • Atrair startups para desafios estruturais do país
  • Gerar vantagem competitiva sustentável

No caso da Cemig, o Inova Cemig.Lab tornou-se um ambiente robusto de cocriação, conectando o ecossistema empreendedor aos grandes desafios energéticos do Brasil.

E isso é apenas o começo.

O posicionamento do IEBT

O IEBT atua há anos na estruturação e gestão de programas de inovação aberta e P&D regulado.

No setor elétrico, aprendemos que regulação não é barreira, é oportunidade.

Quando há método, governança e visão estratégica, o recurso regulado deixa de ser obrigação e se transforma em motor de transformação tecnológica. ⚡

O futuro do P&D no Brasil passa por:

  • Mais integração com startups
  • Mais contratos estruturados via CPSI
  • Mais foco em resultados
  • Mais conexão entre regulação e estratégia

E o setor elétrico já está mostrando o caminho.

Se você atua em setores regulados e ainda enxerga o P&D como obrigação, talvez esteja olhando apenas para o custo e não para o potencial estratégico.

Inovação regulada não é burocracia, é vantagem competitiva bem estruturada.